Pobres serão os mais afectados pelo aquecimento global
SIC Online
ONU apela ao Mundo para cumprir protocolo de QuiotoO
relatório das Nações Unidas sobre o desenvolvimento humano deixa poucas
dúvidas: mesmo que os países tomem já acções concretas para cortar nos
gases de efeito estufa, as temperaturas vão continuar a subir até 2050.
A ONU apela por isso aos países que cumpram o protocolo de Quioto.
Inundações,
cheias, ciclones... os desastres naturais provocados pelas alterações
climáticas vão ser cada vez mais frequentes, alerta a ONU num relatório
apresentado ontem no Brasil.
E são os países com menos
recursos e aqueles que menos contribuem para o aquecimento global da
Terra que vão ser os mais afectados.
As Nações Unidas pedem
por isso aos países mais ricos e mais poluidores para que cumpram o
protocolo de Quioto e ajudem as nações mais pobres a defenderem-se das
catástrofes naturais. Até porque, salienta o relatório, é toda a
humanidade que corre um risco muito grande.
"Há um
risco muito grande para toda a humanidade, mas não se prevê que nenhum
destes efeitos venha a ocorrer nos próximos 10 ou 20 anos. No entanto,
há ameaças sérias para os mais desfavorecidos a médio prazo",
afirmou Pedro Conceição, perito do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD), durante a apresentação do relatório anual do
PNUD sobre Desenvolvimento Humano, este ano intitulado "Combater as
Alterações Climáticas: Solidariedade Humana num Mundo Dividido".
"Alterações climáticas vão reforçar desigualdades entre os povos"
Pedro Conceição não tem dúvidas ao afirmar que o efeito o "efeito das alterações climáticas vai reforçar a desigualdade"
porque, por exemplo, as populações mais pobres estão concentradas em
zonas geograficamente mais frágeis e mais sujeitas a inundações ou
outras catástrofes naturais.
"Três quartos da
população que vive em pobreza extrema depende da agricultura para
subsistir e as alterações climáticas vão colocar em causa a manutenção
dessa agricultura", disse.
Pedro Conceição destacou
cinco factores que vão sofrer grandes consequências com as alterações
climáticas: redução da produtividade agrícola, maiores dificuldades no
acesso à água, maior exposição a desastres naturais, colapso dos
ecossistemas e um aumento dos riscos para a saúde.
O perito
alertou que se não se fizer nada para reduzir a emissão de gazes de
efeito estuda, daqui a 50 ou 60 anos o Mundo vai começar a sentir os
seus efeitos "e nessa altura não há nada a fazer".
Agir para prevenir
Para
combater a emissão desses gases, Isabel Medalho Pereira, também uma
perita do PNUD, disse que é necessário actuar nas causas que estão a
levar às alterações climáticas e preparar as pessoas para os riscos dos
acontecimentos que vão ser inevitáveis.
Defendeu, por isso, a
implementação a nível internacional de políticas que promovam uma maior
eficácia no uso da energia, tecnologias de reduzidas emissões de gazes,
incentivos às energias renováveis e uma melhor gestão das florestas,
entre outros.