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Relatório da ONU destaca ameaça das alterações climáticas

Renascença

O modo como se actua face às alterações climáticas condicionará o próximo século, alertam as Nações Unidas.


No relatório “Combater as alterações climáticas: solidariedade humana num mundo dividido” divulgado esta terça-feira, a ONU identifica as alterações climáticas como o problema que exige mais atenção no contexto dos vários desafios políticos.

As atenções do Programa da ONU para o Desenvolvimento, o PNUD, estão especialmente voltadas para países que enfrentam problemas persistentes de desenvolvimento humano.

Isabel Pereira, especialista da ONU em alterações climáticas, dá exemplos do que se passa em África.

“Estudos que temos no Níger [indicam que] crianças com dois anos, pelo facto de terem nascido num ano de seca, têm 72% mais probabilidade de terem atrasos de desenvolvimento ou, por exemplo no Quénia, crianças com cinco anos têm 50% mais probabilidades de serem subnutridas”, explica Isabel Pereira.

No continente africano outros estudos apontam para perdas de produtividade agrícola por causa das alterações climáticas.

Pedro Conceição, especialista da ONU nesta matéria, diz que os países têm de começar a pagar um preço pelas emissões de dióxido de carbono.

“Neste momento, as emissões de gases com efeito de estufa estão a ser feitas de graça e não estamos a pagar pelos danos que estamos a causar. Isso vai ter de pagar e, de alguma forma, vai ter que se estabelecer um preço para as emissões de carbono”, sustenta Pedro Conceição.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento alerta que as alterações climáticas podem levar a retrocessos no desenvolvimento humano com implicações nomeadamente na saúde, educação e nutrição.

Para inverter este cenário, o PNUD aponta como meta a redução das emissões de gases com efeito de estufa em pelo menos 80% até ao ano 2050.

De acordo com o documento hoje divulgado, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau desceram na tabela do índice de desenvolvimento humano e estão agora entre os 16 piores classificados.

Portugal está em 29º entre os 177 países classificados pelas Nações Unidas. A lista é liderada pela Islândia, logo seguida pela Noruega e pela Austrália.

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