Sol
«Há um risco muito grande para
toda a humanidade, mas não se prevê que nenhum destes efeitos venha a
ocorrer nos próximos 10 ou 20 anos. No entanto, há ameaças sérias para
os mais desfavorecidos a médio prazo», afirmou Pedro Conceição, perito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O perito falava durante a apresentação do relatório anual do PNUD sobre Desenvolvimento Humano, este ano intitulado «Combater as Alterações Climáticas: Solidariedade Humana num Mundo Dividido».
De acordo com Pedro Conceição, o «efeito das alterações climáticas vai reforçar a desigualdade (entre os povos)».
Exemplificando,
o perito afirmou que as populações mais pobres estão concentradas em
zonas geograficamente mais frágeis e mais sujeitas a inundações ou
outras catástrofes naturais.
«Três quartos da população
que vive em pobreza extrema depende da agricultura para subsistir e as
alterações climáticas vão colocar em causa a manutenção dessa
agricultura», disse ainda.
Pedro Conceição destacou
cinco factores que vão sofrer grandes consequências com as alterações
climáticas: redução da produtividade agrícola, maiores dificuldades no
acesso à água, maior exposição a desastres naturais, colapso dos
ecossistemas e um aumento dos riscos para a saúde.
O perito
alertou que se não se fizer nada para reduzir a emissão de gazes de
efeito estuda, daqui a 50 ou 60 anos o mundo vai começar a sentir os
seus efeitos «e nessa altura não há nada a fazer».
Para
combater a emissão desses gases, Isabel Medalho Pereira, também uma
perita do PNUD, disse que é necessário actuar nas causas que estão a
levar às alterações climáticas e preparar as pessoas para os riscos dos
acontecimentos que vão ser inevitáveis.
Defendeu, por isso, a
implementação a nível internacional de políticas que promovam uma maior
eficácia no uso da energia, tecnologias de reduzidas emissões de gazes,
incentivos às energias renováveis e uma melhor gestão das florestas,
entre outros.
Relativamente aos Indicadores de Desenvolvimento
Humano, Isabel Medalho Pereira alertou que os dados deste ano não são
comparáveis com os de 2006 por alguns dos índices terem sofrido
actualizações.
Tal como acontece com os restantes países, em
relação a Portugal, que este ano figura no 29.º lugar, uma posição
abaixo da que tinha em 2006, a perita afirmou que, na prática, não
houve uma descida.
«A alteração é aparente. Se
utilizarmos os valores actualizados para o ano anterior (2006) veremos
que Portugal estaria exactamente na mesma posição», afirmou.
Retourner à la liste <<<<<